Já está na hora de pensarmos no uso das lans em projetos de educação
Marcus Tavares: A nova cara da lan house
Já está na hora de pensarmos no uso das lans em projetos de educação
Jornalista, professor e especialista em mídia e educação
Rio - Da próxima vez que você passar em frente a uma lan house, preste atenção. Você está diante de um fenômeno que cresce a cada dia no Brasil e que, na prática, funciona muito mais do que um simples espaço de joguinhos para adolescentes, como muitos pensam.
O Brasil conta com 108 mil delas. Só para comparar, o número de agências bancárias no território nacional não passa de 20 mil. Lan house significa local de compra, de aprendizado, de relacionamento e, sim, de entretenimento. Cerca de 48% dos brasileiros acessam a Internet em lan houses, o que equivale a mais de 31 milhões de pessoas.
Quem frequenta os estabelecimentos? De acordo com levantamento realizado pela Fundação Padre Anchieta e pela Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital (Abcid), 79% das pessoas são da classe D e E; 55% da classe C; 26% da classe B; e 8% da classe A. O mesmo estudo diz que 63% dos frequentadores têm Ensino Fundamental; 51% o Ensino Médio; e 26% o Ensino Superior.
O espaço é altamente visitado por jovens: 63% dos adolescentes entre 10 e 15 anos acessam a Internet nas lans; 60% dos de 16 a 24 anos; e 38% dos que têm entre 25 e 34 anos. No quadro geral, 43% são trabalhadores e 57% estudantes. Para analistas do mercado, a lan house é o computador conectado à Internet de muitas famílias.
Diante deste cenário, pergunto: que ações poderiam ser desenvolvidas entre lan houses e escolas? O que o poder público fez até agora foi proibir, em algumas cidades, a existência destes estabelecimentos próximos aos colégios e multá-los por permitir a presença de crianças e adolescentes uniformizados e em horário escolar. Tudo bem, mas será que nada de mais produtivo poderia ser estabelecido?
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